Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas
22/10/2026
(Foto: Reprodução) Como é feita a previsão do tempo? Entenda o trabalho dos meteorologistas
Calor, chuva e frio podem se alternar no mesmo dia. Para entender o que está acontecendo na atmosfera e antecipar mudanças, meteorologistas cruzam dados de satélites, radares e modelos numéricos. No Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), parte desse trabalho é feita com o supercomputador Jaci.
O CPTEC é ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A história do centro começou na década de 1980, e as obras da sede foram concluídas em 1995. Desde então, os equipamentos usados pelos meteorologistas passaram por várias mudanças.
No início, as previsões eram feitas com o supercomputador SX-3, que tinha um processador. Em 1998, entrou em operação o SX-4, com oito processadores. A partir de 2004, o SX-6, com 96 processadores, passou a ser a principal ferramenta de trabalho.
Em 2025, o Inpe colocou em operação o Jaci, com 29 mil processadores, cerca de 302 vezes maior que o do SX-6, e capacidade de armazenamento de 24 petabytes. O equipamento é refrigerado com água das nascentes do centro.
🔎 O nome Jaci é uma referência à deusa da Lua na mitologia tupi-guarani.
José Antônio Aravéquia, coordenador-geral de Ciências da Terra do Inpe, acompanhou a evolução dos computadores.
“Com essa inovação, dessa nova máquina que o CPTEC Inpe conseguiu em 2025, nos permite a incorporação de melhores modelos, com mais ciência e nos permite avançar com o conhecimento científico dessas previsões”, afirma.
Super computador Jaci, utilizado no CPTEC
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Dos dados à previsão
As informações observadas por satélites são transformadas em dados numéricos e processadas pelos modelos. Meteorologistas e pesquisadores analisam os resultados das simulações para elaborar as previsões.
“ A partir das previsões que são geradas com a simulação do modelo sobre essas observações, nós conseguimos produzir informações que são úteis para diversos setores. Para a Marinha, para o planejamento de segurança de navegação, para a Aeronáutica, para a segurança em voo, para a agricultura, para projeção de safras, para a Defesa Civil, para prevenção e mitigação de desastres naturais”, diz Aravéquia.
Painel de monitoramento do INPE-CPTEC
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Essas informações também são usadas por empresas de consultoria meteorológica, como a Climatempo, em São Paulo. O meteorologista Gustavo Verardo acompanha telas de radar e modelos numéricos e cruza dados de umidade, vento e pressão para interpretar as previsões.
Verardo afirma que os eventos extremos estão mais intensos e relaciona esse cenário ao aquecimento da atmosfera.
“Se a Terra tem um aquecimento maior, a gente tem uma disponibilidade de energia maior na atmosfera, uma umidade mais alta, e isso acaba intensificando sistemas de chuva, que por sua vez intensificam, por exemplo, rajadas de vento, ondas de calor, ondas de frio, condições extremas como estiagens, enchentes. Então, o clima, ele... ele tá literalmente bagunçado”, diz.
Como a Defesa Civil usa as previsões
Quando há previsão de chuva forte em São Paulo, a Defesa Civil estadual pode reunir diferentes órgãos em um gabinete de crise no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), no Palácio dos Bandeirantes.
“O gabinete de crise é montado aqui no Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado sempre que nós temos previsão de chuvas fortes no Estado de São Paulo”, explica o tenente Roncatto, chefe de operações do CGE.
Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado
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Segundo ele, o grupo intensifica o monitoramento e coordena a resposta em caso de ocorrências.
O tenente também relembra o temporal que atingiu o Litoral Norte em fevereiro de 2023 e deixou 65 mortos. Depois da tragédia, segundo ele, a Defesa Civil ampliou a equipe e modernizou o espaço de monitoramento.
Temporal que atingiu o Litoral Norte em fevereiro de 2023
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No CGE, seis meteorologistas acompanham a evolução do tempo. William Minhotto, que trabalha no centro há 12 anos, explica que os alertas são escalonados conforme a chuva ganha força.
“Conforme a chuva vai ficando mais moderada, aí a gente começa a emitir os nossos alertas mais, vamos dizer, mais tranquilos, entre aspas. E conforme ela vai se intensificando, a gente vai escalonando os nossos alertas até chegar num alerta mais extremo”, diz.
Para Minhotto, a principal satisfação no trabalho é saber que os avisos ajudam a proteger a população. “Poder alertar a pessoa, saber que as pessoas tão ficando mais conscientes com os nossos alertas, e a gente sabe que a gente tá salvando vidas também”, afirma.
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